Fim da escala 6×1 é promulgado: veja os prazos da jornada 5×2

Resposta direta: em 16/10/2026 o Congresso Nacional promulgou a Emenda Constitucional nº 141, que acaba com a escala 6×1 e a substitui pela jornada 5×2, sem corte de salário. A partir dessa data começam a contar os prazos de transição: a jornada cai de 44 para 42 horas semanais em até 60 dias (por volta de 15/12/2026), e para 40 horas em até 14 meses (por volta de dezembro de 2027). Quem trabalha de segunda a sábado, com um único dia de descanso, sabe o que é terminar a semana sem energia pra mais nada além de dormir. É como um carro que roda todos os dias sem revisão: funciona por um tempo, mas o desgaste se acumula até aparecer um problema maior. Foi em cima dessa lógica — de que descansar um dia só não é suficiente pra recuperar de verdade — que o Congresso decidiu mudar a regra que permite a escala 6×1 no Brasil. No escritório de Diego Luna, à frente da Amorim e Luna Advocacia, a dúvida mais comum depois da promulgação não é mais sobre o motivo da mudança, mas sobre o prazo: “O trabalhador liga preocupado achando que a jornada 5×2 já vale desde ontem, e o patrão liga preocupado achando a mesma coisa”, conta Diego Luna. “Os dois lados precisam entender que existe um cronograma de transição contado a partir de 16 de outubro — e que, até cada fase vencer, a regra antiga ainda se aplica normalmente.” Se você também quer entender outros direitos na hora de sair de um emprego, veja também: demissão por justa causa: quando é válida e como contestar. Este texto explica, sem enrolação, o que já foi decidido, o cronograma real de transição, quem fica fora da regra geral e o que fazer se o seu empregador não aceitar a mudança. O que foi promulgado: como funciona o fim da escala 6×1 A escala 6×1 é o regime em que a pessoa trabalha seis dias e descansa só um. É comum no comércio, em supermercados, farmácias, call centers e outros setores que funcionam todos os dias da semana. Dentro do limite legal de 44 horas semanais, concentrar o trabalho em seis dias deixa pouco tempo de descanso real — a única folga da semana muitas vezes vira dia de resolver a vida (médico, banco, filhos), não de descansar de fato. A proposta que extingue esse regime tramitava desde 2019 e ganhou força em 2026, depois de meses de pressão popular e debate público. A Câmara dos Deputados aprovou o texto em maio de 2026, em dois turnos; o Senado concluiu sua própria votação em 14/10/2026. Como é uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) — e não um projeto de lei comum —, ela não precisou de sanção do presidente da República: depois de aprovada nas duas Casas, em dois turnos cada uma, foi promulgada direto pelo Congresso Nacional em sessão solene no dia 16/10/2026, passando a valer como Emenda Constitucional nº 141. O cronograma do fim da escala 6×1, passo a passo Ninguém muda a jornada de 44 para 40 horas da noite pro dia — até porque isso exige reorganizar escalas, contratar mais gente ou repensar turnos em milhões de empresas. Por isso, o texto aprovado prevê uma transição em etapas, como uma reforma que começa pelo cômodo mais simples antes de chegar ao resto da casa: Etapa Prazo (a partir de 16/10/2026) O que muda 1ª fase Até 60 dias (por volta de 15/12/2026) Jornada cai para 42 horas semanais; escala passa a ser 5×2 2ª fase Do 2º ao 14º mês Jornada permanece em 42 horas (cerca de 8h24 por dia, em 5 dias) 3ª fase Até 14 meses após a promulgação (por volta de dezembro de 2027) Jornada cai definitivamente para 40 horas semanais, mantida a escala 5×2 Até lá, qualquer hora trabalhada além do novo limite semanal só pode ocorrer como hora extra, paga com o adicional de lei. E um detalhe que costuma gerar confusão: os prazos já estão contando a partir de 16/10/2026, data da promulgação — e não a partir da aprovação no Senado, como muita gente ainda pensa. Quem fica fora da regra geral A mudança não trata todo mundo exatamente igual. Duas situações têm regras próprias: Trabalhadores de alta renda (“hipersuficientes”): quem tem diploma de curso superior e ganha, hoje, a partir de R$ 21.188,87 por mês (2,5 vezes o teto do INSS) fica fora da redução automática de jornada diária — a redução, nesse caso, só vale se o próprio empregador conceder ou se constar em acordo ou convenção coletiva. A exigência de dois dias de descanso por semana, porém, continua valendo também para esse grupo. Órgãos públicos e empresas terceirizadas que prestam serviço ao Estado: em vez de 60 dias, têm até 12 meses para se adaptar — a ideia é evitar que serviços públicos essenciais (limpeza, segurança, saúde) parem de funcionar de um dia para o outro. Regimes de 12×36: continuam válidos como estão, já que seguem uma lógica de compensação própria, diferente da 6×1. Convenções e acordos coletivos negociados entre sindicato e empresa podem prever um regime de compensação diferente do 5×2 padrão — desde que a média de folgas, ao longo do mês, continue sendo de duas por semana. Na prática, uma versão da 6×1 pode sobreviver em setores específicos por acordo, desde que o trabalhador “receba de volta” a folga que faltou em alguma outra semana do mesmo mês. Por que vale a pena consultar um advogado antes de agir A mudança constitucional já é lei — mas o intervalo entre “foi promulgada” e “já posso exigir” é exatamente onde mais gente comete erro, em qualquer uma das duas pontas: O trabalhador que exige a jornada nova antes do fim do prazo de cada fase pode se indispor com o empregador por um direito que, tecnicamente, ainda não é exigível — até 15/12/2026, por exemplo, a jornada de 44 horas continua valendo normalmente. O empregador que ignora o cronograma
Medida protetiva: mulher afastada do trabalho por violência doméstica agora recebe benefício do INSS

O benefício do INSS para medida protetiva é o novo pagamento a que a mulher afastada do trabalho por uma medida protetiva de urgência (Lei Maria da Penha) passa a ter direito, durante esse período, por até 6 meses — mesmo sem estar doente e sem passar por perícia médica. É um benefício novo, de outubro de 2026, totalmente diferente da pensão por morte: aqui a mulher está viva e protegida, recebendo uma renda para não ficar desamparada enquanto cumpre a medida. O benefício do INSS para medida protetiva é fácil de confundir com outra coisa: pensão por morte é um benefício pago aos dependentes quando o segurado falece. O que explicamos aqui é outra coisa — uma espécie de “salário de proteção” pago à própria mulher, viva, enquanto ela cumpre um afastamento do trabalho determinado pela Justiça para garantir sua segurança. Pense nisso como um seguro que existia só no papel até agora: a Lei Maria da Penha já previa esse afastamento há anos, mas ninguém tinha dito claramente quem pagava o salário durante ele. Essa lacuna acabou de ser fechada. Benefício do INSS para medida protetiva: o que mudou, e desde quando A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), no artigo 9º, §2º, inciso II, já permitia ao juiz determinar o afastamento da mulher vítima de violência doméstica do seu local de trabalho, por até 6 meses, mantendo o vínculo empregatício. O problema é que a lei não dizia quem pagava o salário nesse período — e, na prática, isso deixava muitas mulheres com medo de pedir a medida protetiva, por receio de ficar sem renda. O Supremo Tribunal Federal resolveu essa lacuna no Tema 1.370 (RE 1.520.468), julgado em 16/12/2025: a Corte definiu que esse pagamento segue uma lógica parecida com a do auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) — o empregador paga os primeiros 15 dias, e o INSS assume o restante. Depois, em 1º de outubro de 2026, a Advocacia-Geral da União aprovou um parecer vinculante que dispensa a perícia médica do INSS nesses casos: basta a decisão judicial da medida protetiva para liberar o pagamento, sem precisar passar pela análise que normalmente existe nos benefícios por incapacidade. Quem tem direito, e quanto tempo dura O direito varia um pouco conforme a situação da mulher: Situação Quem paga Empregada com carteira assinada Empregador paga os 15 primeiros dias; o INSS paga o restante do período de afastamento Contribuinte individual, facultativa ou segurada especial (sem empregador) O INSS paga o período integral Mulher sem vínculo com a Previdência (não segurada) Pagamento de natureza assistencial, feito pelo estado, Distrito Federal ou município indicado pelo juiz Em todos os casos, o afastamento — e o pagamento — pode durar até 6 meses, o teto já previsto na Lei Maria da Penha. E um detalhe importante: segundo o entendimento do STF, não existe carência mínima de contribuições para a segurada ter direito ao benefício, e o período conta normalmente como tempo de contribuição para fins de aposentadoria. Por que não precisa de perícia do INSS Normalmente, quem pede um benefício por incapacidade no INSS passa por perícia médica, que avalia se a pessoa realmente não pode trabalhar. Aqui é diferente: a necessidade de afastamento já foi reconhecida pela Justiça, dentro do processo da medida protetiva — então o INSS não reavalia esse mérito. Ele apenas confere se a mulher é segurada da Previdência (ou se se enquadra como não segurada, para o encaminhamento assistencial) e processa o pagamento com base na decisão judicial. Isso significa, na prática, menos burocracia e menos demora num momento em que a mulher já está em situação de vulnerabilidade — exatamente o oposto da pensão por morte, que depende de comprovação de dependência econômica e da ocorrência do óbito. Quem paga a conta no final O benefício não sai de graça para quem causou a situação: pela Lei 8.213/1991 (artigo 120, inciso II), o INSS pode mover ação regressiva contra o agressor para ser ressarcido dos valores pagos à vítima. Ou seja, o custo tende a recair, no fim das contas, sobre quem praticou a violência — não sobre o sistema previdenciário. O que ainda depende de regulamentação Até a publicação deste artigo, o parecer da AGU havia sido aprovado, mas o Ministério da Previdência Social e o INSS ainda tinham prazo para regulamentar formalmente como o pedido deve ser feito na prática (inclusive pelo Meu INSS) e detalhar o fluxo de atendimento — que deve ser prioritário e sigiloso. Enquanto isso não sai, o mais importante é guardar a cópia da decisão judicial da medida protetiva, porque é ela que vai sustentar o pedido assim que o procedimento for publicado. Perguntas frequentes sobre o benefício da medida protetiva Esse benefício é a mesma coisa que pensão por morte? Não. Pensão por morte é paga aos dependentes quando o segurado falece. Este benefício é pago à própria mulher, viva, enquanto ela cumpre o afastamento do trabalho determinado como medida protetiva. Precisa fazer perícia médica no INSS para receber? Não. Segundo o parecer da AGU de outubro de 2026, a decisão judicial da medida protetiva substitui a perícia — o INSS confere apenas a condição de segurada. Quanto tempo esse benefício pode durar? Até 6 meses, o limite já previsto na Lei Maria da Penha para o afastamento do trabalho como medida protetiva. Mulher sem carteira assinada também tem direito? Sim. Contribuintes individuais, facultativas e seguradas especiais recebem o período integral pago pelo INSS. Mulheres sem nenhum vínculo previdenciário têm encaminhamento assistencial, pago pelo estado, DF ou município. Existe um número mínimo de contribuições para ter direito? Não. O entendimento do STF dispensa carência mínima para a segurada nesse caso específico. Quem paga o valor no final — o governo ou o agressor? O INSS paga inicialmente, mas pode cobrar o valor de volta do agressor por meio de ação regressiva, prevista na Lei 8.213/1991. Já dá para pedir esse benefício agora? O parecer que embasa o benefício já foi aprovado, mas a regulamentação
Pessoa com síndrome de Down tem direito a aposentadoria especial?

Pessoa com síndrome de Down pode ter direito à aposentadoria da pessoa com deficiência (PCD), com regras próprias de tempo de contribuição e avaliação.
BPC/LOAS: como conseguir o benefício assistencial passo a passo

BPC/LOAS é o benefício assistencial de um salário mínimo para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. Veja quem tem direito e como pedir.
Namorado morando no seu imóvel: como se proteger de um pedido de união estável

Proteger imóvel de união estável começa antes de qualquer briga: bens comprados ou financiados antes de o namorado passar a morar com você continuam seus mesmo que a Justiça reconheça união estável depois. O risco real está nas parcelas pagas e nas reformas feitas durante a convivência — documente tudo e considere um contrato de convivência com separação de bens. É uma situação comum e, ao mesmo tempo, cheia de armadilhas: você trabalhou, comprou ou financiou seu apartamento sozinha, e em algum momento o namorado passa a morar com você. A vida segue normal — só que, se o relacionamento terminar mal e a pessoa for de má-fé, ela pode ir à Justiça alegar que existia união estável, na esperança de conseguir parte do imóvel ou de outros bens, mesmo sem ter contribuído de fato pra conquista deles. É como emprestar a chave de casa pra alguém só porque moram juntos — isso não faz a casa virar dela, mas pode dar trabalho provar isso depois, se a pessoa decidir contestar. Namorado morando no seu imóvel já configura união estável automaticamente? Não, só a mudança pra dentro de casa não basta. O artigo 1.723 do Código Civil define união estável como a convivência pública, contínua e duradoura, com o objetivo de constituir família — são quatro ingredientes que precisam aparecer juntos, não um sozinho. O problema é que a lei não exige nenhum papel assinado pra esses ingredientes existirem: se, além de morar junto, o casal se apresenta socialmente como marido e mulher, divide contas do dia a dia e constrói uma vida em comum por tempo relevante, um juiz pode reconhecer união estável mesmo que nenhum dos dois tenha formalizado nada — inclusive anos depois, numa disputa. Cuidado com as redes sociais: fotos e posts também viram prova Um dos jeitos mais comuns — e mais subestimados — de comprovar união estável num processo é justamente aquilo que o casal posta nas próprias redes sociais. Foto de viagem junto, legenda chamando o parceiro de “minha família” ou “meu amor pra sempre”, post de aniversário marcando “x anos juntos”, check-in no mesmo endereço, ou até uma marcação numa festa de família — tudo isso pode servir de prova pra dois dos quatro elementos que caracterizam a união estável (artigo 1.723 do Código Civil): a publicidade da relação e a intenção de constituir família. Isso não é teoria. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4, 9ª Turma) já usou uma foto publicada em rede social — certificada por ata notarial, uma espécie de “print oficial” feito em cartório, com valor de prova mais forte que um print comum — somada a depoimento de testemunhas, pra reconhecer união estável e garantir pensão por morte a uma companheira. O relator, juiz federal Paulo Afonso Brum Vaz, deixou claro que a foto sozinha não bastava, mas funcionou como peça relevante ao lado do testemunho. Ou seja: o que parece um post inofensivo pode, anos depois, virar parte da base de um processo — a favor ou contra você. Pra quem quer proteger imóvel de união estável indesejada, vale um cuidado redobrado nas redes: pense duas vezes antes de usar legendas que reforcem “constituir família” (chamar o namorado de “marido”, falar em “nossa casa” ou “nossa família”), evite apresentar a relação publicamente como se fosse casamento, e guarde na memória que o inverso também vale — se um dia precisar se defender de um pedido de união estável, prints e publicações antigas podem mostrar exatamente o oposto: que a relação nunca teve essas características. O que acontece com o imóvel se a Justiça reconhecer união estável Mesmo que a união estável seja reconhecida, isso não significa que o imóvel vira automaticamente dos dois. A união estável puxa consigo o regime de comunhão parcial de bens por padrão, conforme a Lei 9.278/1996 e o artigo 1.725 do Código Civil — e a regra da comunhão parcial é clara: só entram na partilha os bens adquiridos durante a convivência. O que já era seu antes — comprado à vista ou com financiamento contratado antes de ele se mudar pra lá — continua sendo particular, mesmo que as parcelas continuem sendo pagas depois. O problema são essas parcelas pagas durante a união. O Superior Tribunal de Justiça já confirmou esse raciocínio na prática: no REsp 1.841.128 (3ª Turma, relator ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 22/12/2021, por unanimidade), a Corte decidiu que um imóvel financiado com recursos próprios de uma das partes antes do relacionamento continua sendo só dela, mesmo que as parcelas restantes tenham sido pagas depois de formalizada a união — porque o dinheiro usado pra pagar continuava saindo do patrimônio pessoal dela, e a causa da compra é anterior ao vínculo. Ou seja: o financiamento ter sido feito antes protege o imóvel, mesmo que ele ainda esteja sendo pago durante a convivência. Existe, porém, uma exceção que vale conhecer: pela Súmula 377 do STF, se o namorado conseguir provar que teve uma contribuição efetiva e relevante — financeira ou não — pra valorização do imóvel durante a convivência (uma reforma que ele pagou ou fez, por exemplo), ele pode ter direito a receber essa parte do aumento de valor, não ao imóvel inteiro. O STJ já deixou claro, inclusive em decisões recentes, que esse esforço comum não é presumido: ele precisa ser provado, e a prova é responsabilidade de quem alega — mais um motivo pra manter tudo bem documentado. Um risco menos conhecido: o direito de continuar morando lá, mesmo sem ser dono Há um cenário que costuma pegar as pessoas de surpresa: o direito real de habitação, previsto no artigo 1.831 do Código Civil. Se a proprietária do imóvel falecer, a jurisprudência entende que o companheiro sobrevivente tem direito a continuar morando no imóvel que servia de residência da família — mesmo que esse imóvel seja bem particular dela e mesmo sem ser dono de nada ali. Não é um risco que aparece numa separação em vida, mas vale considerar
Caiu no golpe do pix. Como tentar recuperar o dinheiro?

Caiu no golpe do pix? Descubra o passo a passo de como tentar recuperar o dinheiro perdido no golpe do Pix através do MED, do Banco Central e dos canais oficiais do seu banco. Caiu no golpe do Pix? Veja o passo a passo de como tentar recuperar o dinheiro perdido Resposta Rápida: Para tentar recuperar o dinheiro perdido no golpe do Pix, acione o Mecanismo Especial de Devolução (MED) no aplicativo do seu banco imediatamente em até 80 dias, registre um Boletim de Ocorrência policial detalhado e conteste a operação na instituição receptora do valor. A agilidade do Pix revolucionou a forma como movimentamos dinheiro no Brasil. Em poucos segundos, pagamentos de serviços, compras cotidianas e transferências entre amigos são concluídos com um simples toque na tela do celular. Contudo, essa mesma velocidade que traz conveniência para o dia a dia também se tornou o cenário ideal para a atuação de estelionatários. Seja por meio da clonagem de contas no WhatsApp, do golpe do falso parente pedindo socorro financeiro, do falso leilão online ou da promessa de investimentos miraculosos, ser vítima de uma fraude bancária causa um impacto imediato no orçamento e um sentimento de impotência. Diante dessa situação, surge a dúvida mais urgente: caiu no golpe do pix? Como recuperar o dinheiro? A boa notícia é que você não precisa aceitar o prejuízo como algo definitivo. O sistema bancário brasileiro conta com mecanismos regulamentados pelo Banco Central para rastrear, bloquear e reaver valores transferidos sob fraude. Abaixo, explicamos o passo a passo das medidas que você deve tomar imediatamente para maximizar suas chances de reaver o seu patrimônio. O que é o MED (Mecanismo Especial de Devolução) do Banco Central? Pense no Mecanismo Especial de Devolução (MED) como uma espécie de “freio de emergência” criado pelo Banco Central especificamente para lidar com fraudes, golpes e falhas operacionais no Pix. Quando você faz uma transferência para um comerciante legítimo e depois se arrepende da compra, o MED não se aplica (trata-se de um conflito comercial). Porém, nos casos em que fica caracterizado o golpe ou a engenharia social, o sistema aciona um protocolo automático de bloqueio entre as instituições financeiras. Assim que a notificação é registrada no seu banco, o sistema faz um “alerta vermelho” para a instituição onde o estelionatário mantém a conta corrente. Se ainda houver saldo disponível nessa conta de destino, o valor é congelado cautelarmente para posterior estorno ao pagador. Passo a passo: O que fazer nos primeiros minutos após a fraude O tempo é o fator mais crítico em disputas de estorno bancário. Quanto mais rápido a fraude for notificada, maiores são as chances de o dinheiro ser encontrado na conta do golpista antes que ele seja sacado ou transferido para laranjas. Acompanhe a sequência de ações indispensáveis: 1. Registre o Bloqueio no Aplicativo Bancário (MED) Abra o aplicativo do banco por onde você realizou a transferência, acesse o extrato da conta, selecione o comprovante do Pix realizado e procure pela opção “Contestar transação”, “Relatar um problema” ou “Denunciar golpe”. Esse comando ativa formalmente a notificação do MED. 2. Registre o Boletim de Ocorrência (B.O.) Acesse a Delegacia Eletrônica da Polícia Civil do seu Estado e registre uma ocorrência detalhada do crime de estelionato. Anexe prints de conversas do WhatsApp, comprovantes bancários, números de telefone utilizados pelo fraudador e links de sites falsos. 3. Notifique a Instituição Receptora do Dinheiro Caso você consiga identificar pela chave Pix qual é o banco para onde o seu dinheiro foi enviado (como um banco digital ou carteira de pagamento), entre em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) ou Ouvidoria daquela instituição para relatar que aquela conta corrente está sendo usada para a prática de crimes. Tabela Informativa: Prazos e Regras Oficiais do Pix Procedimento Prazo Regulamentar (Regras do Banco Central) O que acontece na prática? Abertura da Contestação (MED) Até 80 dias após a data da transferência. O banco inicia a análise formal da ocorrência no sistema. Bloqueio Cautelar da Conta Imediato (em até 24 horas da notificação). Se houver saldo na conta do golpista, o valor é congelado. Análise da Fraude pelas Instituições Até 7 dias úteis para conclusão. Os dois bancos avaliam o histórico das contas e conversas. Devolução do Saldo ao Vítima Até 96 horas após a aprovação da análise. O dinheiro bloqueado é estornado diretamente para sua conta. O banco tem responsabilidade em ressarcir a vítima do golpe? Uma das maiores dúvidas de quem cai em fraudes digitais é saber se o próprio banco pode ser responsabilizado caso a conta do golpista não tenha mais saldo para devolução. A jurisprudência consolidada dos Tribunais de Justiça e a Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabelecem que as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativos a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias. Na prática, isso significa que as instituições bancárias possuem o dever de segurança de monitorar contas de “fachada” ou “laranjas”. Se o banco onde o golpista abriu a conta permitiu a criação de um cadastro com documentos falsos, sem verificação de identidade ou sem aplicar travas de segurança para movimentações atípicas em horários suspeitos, a instituição financeira pode ser condenada pela Justiça a indenizar o cliente que sofreu o prejuízo do golpe. Caiu no golpe do pix? Recomendações para evitar novas fraudes digitais Para manter o seu patrimônio protegido nas transações do dia a dia, adote hábitos de segurança digital rigorosos: Desconfie de Urgências e Pedidos de Socorro: Se um amigo ou familiar solicitar dinheiro urgente pelo WhatsApp alegando troca de número ou emergência médica, faça uma chamada de voz ou de vídeo direta para o número antigo da pessoa para confirmar a identidade antes de fazer qualquer envio; Atenção aos Dados do Favorecido: Antes de digitar a senha de confirmação do Pix, leia atentamente o nome completo, o CPF/CNPJ e a instituição bancária do recebedor que aparecem na tela do celular; Ajuste os Limites Diários do Aplicativo:
Bem vindo à Revista Rubi

Caros leitores, amigos e família, A Revista Rubi nasceu — e estou extremamente grata a todos e todas que contribuíram, de alguma forma, para que este projeto saísse da minha cabeça e ganhasse o mundo. Quem me conhece um pouco mais de perto sabe qual é o meu propósito desde 2008, quando me formei em Jornalismo: democratizar a informação. Levar conteúdo acessível a quem não tem privilégios e a quem sequer sabe que tem um direito é o meu ponto de partida. A Revista Rubi chega exatamente com esse papel: ser a ponte entre o advogado e o cidadão. É o elo que liga, o canal que traduz. Olhando para a minha trajetória profissional, que passa por redações de jornais e revistas, assessorias de imprensa e agências de marketing, sinto um orgulho enorme dessa mente inquieta e criativa que já colocou tantos projetos no ar. Mas esta gestação foi especial, muito querida e profundamente pensada. Na Agência Rubi, sigo sob esse mesmo propósito: lapidar informações com inteligência para que, mesmo indiretamente, possamos transformar vidas e promover mais justiça social. Em um mundo hiperconectado e dominado pelo efêmero, decidimos desacelerar para construir conversas que permanecem. Parar para ouvir. Parar para explicar. O rubi é uma pedra conhecida por sua força, intensidade e valor singular. Não escolhi esse nome por acaso. Minha intenção é trazer à tona o que há de mais valioso nas ideias, nas histórias e nas pessoas que cruzam o nosso caminho. Um farol de inspiração, de provocações e reflexões inteligentes. Por fim, entregar conteúdo verdadeiramente transformador. Falar de propósito não é levantar uma bandeira teórica, mas entender o que nos move e como podemos impactar a sociedade com autenticidade. Este primeiro capítulo é um convite aberto para você caminhar conosco, questionar, aprender e se inspirar. A casa está aberta, o conteúdo está no ar e esse diálogo só faz sentido com a sua presença. Obrigada por fazer parte deste começo. Seja muito bem-vindo ao universo da Revista Rubi! Estou infinitamente feliz com este nascimento. Com carinho, Camila Ribas.